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09/07/2015

Movimentos Populares no Continente da esperança!

A América Latina, continente da esperança, recebe a visita do papa a partir deste domingo (05-12/07). Dentre os países mais pobres, Equador, Bolívia e Paraguai foram escolhidos, porque deles, assim como de toda a América Latina, “se esperam novos modelos de desenvolvimento que conjuguem tradição cristã e progresso civil, justiça e equidade com reconciliação, desenvolvimento científico e tecnológico com sabedoria humana, sofrimento fecundo com alegria cheia de esperança”.

Essas palavras, pronunciadas pelo papa na Solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe (12/12/2014), ao confiar à Maria a vida de nossos povos e a missão continental da Igreja, demonstram a gratidão pela fé cristã que se manifesta na “preciosidade da piedade popular, na consciência da dignidade da pessoa humana, na paixão pela justiça, na solidariedade para com os mais pobres e sofredores, na esperança às vezes até contra toda a esperança”.

Só é possível conservar esta esperança com grandes doses de verdade e de amor, fundamentos de toda a realidade, motores revolucionários de uma vida autenticamente nova.

O papa vai encontrar uma América Latina com fortes contradições em diferentes indicadores, apontando, de um lado, para interessantes perspectivas pelas mudanças ocorridas na última década, e, por outro, preocupações e desafios para o desenvolvimento regional.

Apesar de não ser uma região declarada de conflitos armados, a América Latina aparece no Relatório Mundial sobre a prevenção da Violência de 2014 (ONU) com número de mortes por homicídio preocupante, pois chega a mais de 165 mil mortes, o que dá uma média de 28,5 homicídios por 100 mil habitantes. Esse número é quatro vezes o índice global que é de 6,7 homicídios por 100 mil habitantes. O relatório de Desenvolvimento Humano Regional (RDH/2013-2014) do PNUD aponta que a insegurança é um dos obstáculos para o desenvolvimento econômico e social na América Latina e que não bastam medidas de controle da criminalidade. É necessário melhorar a qualidade de vida da população com crescimento econômico inclusivo e instituições de segurança e justiça eficazes.

Quanto à redução da fome, o Relatório da organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO) indica que a região é a primeira e única do mundo que alcançou, de maneira antecipada, a meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) reduzindo significativamente a fome. Dentre os 09 países que alcançaram 100% do objetivo de redução da subalimentação, não constam os países que estão sendo visitados pelo papa Francisco. Ainda há 29,5 milhões de pessoas na América Latina com fome, mas segundo a FAO a causa da fome não está na falta de alimentos, mas na falta de acesso a eles. Este aspecto remete às situações de desigualdade social ainda presentes nesses países. Quanto ao combate à pobreza, a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe aponta que a pobreza, em que pese importantes iniciativas de alguns países que na década passada conseguiram progressivas reduções na extrema pobreza, ainda persiste como um problema estrutural na América Latina e que o ritmo de diminuição da pobreza desacelerou. A taxa de pobreza da América Latina em 2013 foi de 28,1% da população, enquanto a indigência, ou pobreza extrema, alcançou 11,7%. Estas porcentagens equivalem a 165 milhões de pessoas em situação de pobreza, dos quais 69 milhões são pessoas em situação de pobreza extrema.

Se por um lado, o forte crescimento econômico pode não garantir melhora nas condições de vida dos mais pobres em função das desigualdades sociais e econômicas, o baixo crescimento pode fazer os processos de redução das desigualdades diminuir seu ritmo ou sofrer retrocessos. Vê-se que nesses quatro aspectos como violência, fome, pobreza e economia em geral as conquistas obtidas, mesmo que significativas, não são suficientes para que a região alcance outro patamar em termos de desenvolvimento humano. Medidas como fortalecimento das políticas de distribuição de renda e de acesso às políticas públicas voltadas para as populações mais carentes ainda se mostram fundamentais na região, aliadas à busca de maior integração e de soluções comuns para a região que façam frente aos desafios que a economia mundial apresenta para os próximos anos (Analise Conjuntura/CNBB).

Na extensa programação da visita do papa à América Latina consta o encerramento do II Encontro Mundial dos Movimentos Sociais (07-09/07), em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. Estão inscritos mais de 900 delegados de 40 países, inclusive do Brasil. Dentre os participantes, trabalhadores precários e informais, sem-terra, indígenas, migrantes e militantes de movimentos sociais. Os eixos temáticos serão terra, teto e trabalho com um olhar mais amplo sobre o que passa com a Mãe Terra e os conflitos que afetam a paz e a soberania no mundo. O evento é organizado a partir do Vaticano, contando com a presença do cardeal Turkson, responsável pelo Conselho de Justiça e Paz do Vaticano, na abertura do Encontro. No I Encontro, realizado no Vaticano em outubro de 2014, o papa afirmou: “A solidariedade é uma forma de fazer história”. E por isso se une ao pedido dos pobres que reclamam “terra, teto e trabalho”. E acrescentou: “Quando peço terra, teto e trabalho para os necessitados alguns me acusam dizendo que ‘o Papa é comunista’! Não entendem que a solidariedade com os pobres é a base mesma do Evangelho”.

Estamos vivendo momentos difíceis de rejeição e intolerância religiosa no mundo, e agora no Brasil. A Liturgia deste domingo aborda o tema da rejeição dos profetas (Mc 6,1-6). O povo que está na sinagoga manifesta descrédito em relação a Jesus. Seus conterrâneos não creem justamente porque veem Jesus trabalhador, o filho de Maria, um homem do povo que não frequentou nenhuma escola superior, um homem que vem de Nazaré, lugarejo insignificante. Por se encarnar nas realidades humanas, Jesus foi rejeitado. Isso faz pensar no desafio que é a encarnação do evangelho na realidade do povo (VP).

O que ocorreu a Jesus em Nazaré prefigura a rejeição que ele experimentará, poucos meses depois, em Jerusalém. Ali, não apenas recusarão sua palavra, mas o pregarão na cruz. Muitos seguidores conheceram a mesma sorte que Jesus. Pessoas simples, profetas que surgiram levantaram a voz no nosso meio. Foram mortos por denunciarem as desigualdades, as injustiças sociais, a violência no campo e na cidade. Foram mortos por “bons católicos”. Eram considerados pouco importantes, não tinham poder, mas sua palavra tem. Sua voz não se cala, mesmo que estejam mortos. Porque a voz da justiça e da fraternidade é a voz de Deus (Konings).

O Profeta Ezequiel fala de sua missão profética e da forma como é rejeitado (Ez 2,2-5). O sofrimento de muitos tinha responsáveis diretos, ou seja, as próprias elites, que também se encontravam na Babilônia. São provavelmente essas elites que constituem a “nação de rebeldes… filhos de cabeça dura e coração de pedra” de que fala o profeta. Elas se tornarão surdas aos apelos que Deus faz por meio de Ezequiel. As pessoas ponderadas podem perguntar se vale a pena tanto esforço para tão pouco resultado, isto é, por que o profeta deve gastar tempo e palavras com quem não lhe dá crédito nem ouvidos. Não seria melhor deixar as coisas como estão? Ocorre que, mesmo sem ser ouvido, o profeta é um sinal de que Deus não abandona seu povo.

Paulo Apóstolo gloria-se em sua fraqueza, pois nela é Deus quem age. Ele só quer anunciar o evangelho do Cristo crucificado e pede que suportemos essa sua loucura (2Cor 12,7-10). Importa que o profeta seja enviado por Deus. Pela humilhação do Filho de Deus, em sua morte de cruz, é que se orienta a missão dos seguidores e seguidoras de Jesus. Nasce, assim, uma espiritualidade do conflito, uma mística que descobre Deus não no sucesso, mas justamente no aparente fracasso de pessoas e projetos, pois o próprio Deus se manifestou vitorioso no aparente fracasso de Jesus na cruz: “De bom grado, portanto, prefiro gloriar-me nas minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim”. Deus está presente nos conflitos internos e externos enfrentados pelos agentes de pastoral (VP). Trata-se de uma presença que é graça e dinamismo.

Essa força é que desejamos aos agentes da Pastoral da Terra, que estão se dirigindo para Porto Velho, a fim de participarem do IV Congresso Nacional da CPT (12-17/07). A todos, coragem e boas vindas! Juntos, vamos celebrar os 40 anos de caminhada na CPT e a esperança dos pobres do campo: “quando sou fraco, então é que sou forte”!

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