Entidades de Rondônia se manifestaram após a prisão do principal suspeito de matar o indígena Ari Uru-Eu-Wau-Wau. O crime aconteceu há mais de dois anos e o suspeito foi preso nesta quarta-feira (13) durante operação da Polícia Federal.

Ivaneide Bandeira, ativista indígena e fundadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, ressaltou que ela e outros povos indígenas aguardaram e cobraram, ao longo desses dois anos, a identificação do suspeito de matar Ari.

“Finalmente a gente teve a notícia, hoje, de que o possível assassino foi preso. E o que nós esperamos é que haja justiça. Ari Uru-Eu-Wau-Wau era um guardião da floresta que estava lutando para manter o seu território e manter o seu povo. Ele era professor, pai de família e uma pessoa muito boa”.

A Kanindé e a Associação do Povo Indígena Uru-Eu-Wau-Wau – Jupaú também se manifestaram. Através de uma nota, eles apontam que aguardam novos detalhes que consideram importantes, como a identidade do suspeito e a motivação da morte.

“Seguiremos acompanhando o caso até a efetiva punição com os rigores da lei dos envolvidos na morte de nosso parente e a saída dos milhares de invasores da Terra Indígena Uru-eu-wau-wau”, consta na nota.

A ativista indígena Txai Suruí, que discursou na abertura oficial da Conferência da Cúpula do Clima (COP26) lembrando a morte de Ari, utilizou as redes sociais para comentar a prisão do suspeito e cobrar justiça. 

“Só quem viveu sabe a dor de perder alguém querido. Ainda mais quando essa perda acontece de forma violenta contra um protetor e guerreiro do seu território e povo. Nada apaga ou diminui essa dor. Que a justiça seja feita”, publicou.

O WWF-Brasil foi outra entidade a emitir nota sobre o caso, comemorando o avanço das investigações e apontando a importância dos esclarecimentos sobre o a motivação do crime, possível participação de outras pessoas e a existência de um eventual mandante.

“A destruição da floresta e o genocídio dos povos indígenas são os dois lados de uma mesma moeda: a da ausência do Estado e do controle da Amazônia pelo crime. Investigar, responsabilizar e punir assassinos é o primeiro – e importante – passo para reverter essa equação perversa”, apontam trechos do documento.

Primeiro caso esclarecido

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o homicídio de Ari-uru-eu-wau-wau é o primeiro a ser esclarecido entre outros 16 casos de mortes no campo registradas em Rondônia.

“Está na hora, que tanto em Rondônia como em toda Amazônia, esteja se apurando toda violência apurada por pistoleiros e milícias armados que continuam, com muita impunidade, agindo contra os pequenos agricultores e cada vez mais também os indígenas e comunidades tradicionais, no garimpo, extração ilegal de madeira, grilagem de terra e desmatamento ilegal”, cobra Josep Iborra, agente da CPT

Segundo a procuradora Gisele Bleggi, do Ministério Público Federal, em Rondônia “existe um elevado índice de desaparecidos, principalmente de ativistas de direito humanos e pessoas que defendem causas indígenas”.

Investigações

Segundo a PF, desde o ano passado os agentes estão fazendo entrevistas com pessoas que tinham ligação com Ari e seu trabalho.

As lesões e sinais encontrados no corpo de Ari apontaram para uma morte violenta, sem possibilidade de defesa. Segundo a PF, a hipótese é que o suspeito dopou a vítima, a agrediu até a morte e depois disso teria movido o corpo para outro local. Um dos pontos apurados na investigação é que a morte do professor ocorreu entre 1h e 3h da madrugada.

Diante das informações colhidas, foi identificado o principal suspeito do crime. Ele não teve o nome divulgado, mas, segundo a PF, o autor do homicídio já se encontrava preso preventivamente por outro homicídio e é suspeito de outros crimes. Nesta quarta-feira (13), a PF cumpriu a nova prisão preventiva do suspeito, dessa vez pela morte de Ari.

Fonte: G1 Rondônia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Enviar Mensagem
Estamos Online
Rádio Caiari
Olá 👋
Como podemos ajudar?