No último domingo (25/10) ocorreu em Porto Velho a comemoração de 1 ano do Sínodo para a Amazônia que teve como tema: “Amazônia: novos caminhos para a igreja e por uma ecologia integral”. Considerado uma resposta do Papa Francisco em relação a realidade dos povos e comunidades da Pan-Amazônia.

Organizado pela Arquidiocese de Porto Velho com o apoio de pastorais ligadas a igreja católica, o evento aconteceu no espaço aberto da igreja São Cristóvão, localizada na zona norte da cidade, e contou com a presença de aproximadamente 200 pessoas, seguindo todos os protocolos de segurança sanitária por conta da pandemia do COVID-19, além de ser transmitido ao vivo pelos canais de youtube e facebook da arquidiocese.

A celebração contou com a presença de indígenas e ribeirinhos, além de camponeses do setor chacareiro de Porto Velho. Entre ritos e cânticos com destaque para o hino de autoria do Padre Cireneu Kuhm, que reflete como os povos e comunidades da floresta em comunhão com os demais habitantes da Amazônia devem sentir-se, pois “Tudo está interligado, como se fôssemos um, tudo está interligado nesta casa comum”, os presentes buscaram rememorar o compromisso da igreja católica com os povos e comunidades da Pan-Amazônia. 

Como sinal do compromisso da Igreja, pós-sínodo foi aprovado um documento que expressa a preocupação da igreja com os conflitos agrários, com o desmatamento, com a ameaça a vida dos defensores dos direitos humanos e das lideranças dos movimentos de luta pela terra. Coloca a igreja em comunhão com as ações e teimosia como resistência dos povos amazônicos, além de reafirmar seu compromisso em defesa da ecologia integral em busca do constante desaprender e aprender a fim de nós amazonizarmos.

Texto: Comunicação Comissão Pastoral da Terra –  CPT/RO

Carta na íntegra:

Vozes da Amazônia: um chamado para a ecologia integral.

A água e a terra desta região alimentam e sustentam a natureza, a vida e as culturas de inúmeras comunidades indígenas, camponesas, quilombolas, caboclos, assentados, ribeirinhos e habitantes dos centros urbanos” (Documento Final do Sínodo para a Amazônia nº 7).

A Igreja que está Porto Velho, na missão de anunciar a Boa Notícia de Jesus e denunciar as situações de morte presentes no nosso meio, faz memória viva e celebrativa do primeiro ano do Sínodo para a Amazônia, que teve como tema: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, marcando um tempo de Kairós e do sopro do Espírito de Deus sobre a nossa região.

Com o Papa Francisco, reafirmamos nosso compromisso: “defender a terra é defender a vida” dos povos originários, quilombolas, ribeirinhos, seringueiros, pescadores, agricultores, migrantes, mulheres, jovens e populações urbanas, que formam rostos tão diversos e são portadores de uma cultura e sabedoria que embeleza esta imensa região, cotidianamente ameaçados no seu direito à vida, à terra e a políticas públicas.

Diante da gravidade do momento que vivemos na região Amazônica, o Espirito de Deus nos interpela, através da Exortação Apostólica Querida Amazônia, a denunciar:

– A destruição da nossa Casa Comum, ameaçada constantemente pela ação inescrupulosa de grupos econômicos e políticos;

– Os desmatamentos e as queimadas que destroem a Amazônia, em nome de um desenvolvimento depredador;

– A invasão das terras indígenas, comunidades tradicionais e unidades de conservação por grupo de poderosos, que atuam criminosamente nesta região;

– Ausência de política de reforma e distribuição de terra, gerando sérios conflitos agrários na região amazônica;

– O descaso nas políticas públicas de saúde, educação, cultura, moradia, transporte, saneamento básico, que impacta diretamente a vida dos pobres;

– A opção pelo crescimento econômico e os desvios dos recursos financeiros para o Plano Emergencial e de combate à Pandemia da Covid 19, em detrimento do direito universal à vida;

– As ameaças aos defensores de direitos e a morte de lideranças comunitárias que atuam na defesa da terra, do ambiente saudável, dos direitos humanos e a criminalização dos movimentos sociais;

– Os grandes empreendimentos econômicos que deslocam comunidades inteiras para as periferias das cidades.

Interpelados pelos apelos da realidade, queremos comungar com os sonhos e a teimosia dos povos amazônicos e a esperança de um mundo mais justo e solidário.

Em comunhão com o Papa Francisco e a Igreja do Brasil, assumimos a defesa:

– Dos direitos dos mais pobres, dos povos indígenas, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade, promovida;

– De uma ecologia integral, que conecte o exercício do cuidado da natureza com o da justiça;

– Da imensa riqueza cultural que caracteriza a Amazônia e na qual brilha de maneira tão variada a beleza humana – beleza natural que adorna a vida transbordante que enche os rios e as florestas da região amazônica;

No constante movimento de desaprender, aprender e reaprender, numa atitude de constante conversão integral, inspirados/as pela proposta da ecologia integral que afirma: A ecologia e a justiça social estão intrinsecamente unidas (cf. Laudato si’ nº 137), colocamo-nos a caminho, reafirmando nossa opção preferencial pelos mais pobres e vulneráveis.

Que N. Sra da Amazônia, Mãe de nosso Jesus Cristo e nossa Mãe, continue remando conosco nos nossos rios, lagos e igarapés, para que a vida se torne hino de louvor de nós criaturas ao criador.

Porto Velho, 25 de outubro de 2020.

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