“Jesus, tolerante e humilde de coração, nasceu pobre, levou uma vida simples, para nos ensinar a identificar e a viver do essencial.” (Admirabile Signum – Papa Francisco)

Celebrar o Natal é fazer memória do mistério da gratuidade do Amor de Deus que adentra no mundo e assume a história humana por inteira. Infelizmente, Ele “veio para o que é seu, mas os seus não o acolheram” (Jo 1,11). O nascimento da Divina Criança não foi recebido com festa, da mesma forma que acontece com o nascimento de tantas crianças pobres, refugiadas, marginalizadas. O Menino Deus nasceu na mais completa pobreza, à margem da história oficial, no meio da noite escura, numa mangedoura entre animais. E, até hoje, as circunstâncias daquele nascimento permanecem as mesmas em favelas, periferias, acampamentos improvisados de sem terras, indígenas, migrantes e refugiados. Aqui e no mundo inteiro, onde todo dia, mais de sete milhões de pessoas, muitas dessas crianças, não sabem quando comerão novamente.

Celebrar o Natal indiferente a esse sistema político-sócio-econômico gerador de partos como o da jovem Mãe Maria que, não encontrando acolhida para o seu pequenino, “o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles dentro da casa” (Lc 2,7) é um escândalo contra Deus e o próximo. Por isso, mesmo que o consumismo insista em transformar o Natal num evento social pomposo, de luzes artificiais e de mesas fartas de comida e vazias de solidariedade, a pobreza da Divina Criança e de todas as crianças que ainda hoje vêm ao mundo sem o básico para a acolhida de uma nova vida, transforma-se em denúncia profética e em convite a resgatar o sentido mais profundo do Mistério da Encarnação.

O Natal nos recorda que Deus não nos deu um simples presente: Ele se faz presente e se revela aos últimos da sociedade. Recorda que Ele não é um Deus que vem pelos caminhos da aparência, dos títulos ou da força violenta, mas no silêncio e no anonimato. Que mesmo sendo todo poderoso, se torna frágil e aceita a condição de refugiado para revelar, através de um gesto de identificação com os pequenos e pobres deste mundo, que nunca mais estarão sós, porque Ele é o Emanuel, Deus-conosco!

Assim, por mais sombrio que o nosso caminho se apresente, confiemos! E, desde a manjedoura de Jesus, que não exclui ninguém, façamos o Natal acontecer hoje, aqui e agora, inaugurando uma maneira radicalmente nova de nos relacionarmos, abrindo nossos corações e nossas casas para acolher Jesus que vem até nós na pessoa de nossos irmãos e irmãs excluídos.

Feliz e Santo Natal e um Novo Ano repleto das bênçãos de Deus!

Dom Roque Paloschi
Arcebispo da Arquidiocese de Porto Velho-RO
Dezembro de 2019

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