Porto Velho, 21 de outubro de 2019
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Mensagem do cardeal Marx para o Ramadã: contra toda forma de ódio

Em sua mensagem, o presidente dos bispos alemães expressa “profunda preocupação com os repetidos ataques perpetrados contra lugares de culto” (mesquitas, sinagogas e igrejas), “crimes vergonhosos que não podem ser minimizados de modo algum. Numa sociedade aberta ninguém deveria ter medo quando entra numa casa de oração”, ressalta o purpurado alemão

Cidade do Vaticano

Cabe à sociedade o “dever de repudiar o ódio e a perseguição e trabalhar por uma convivência pacífica e confiante, e isso é particularmente verdadeiro para os representantes das religiões, porque sem a paz entre religiões e culturas não há paz em nossa sociedade”: é o que escreve o arcebispo de Munique e presidente da Conferência episcopal alemã, cardeal Reinhard Marx, numa mensagem à comunidade muçulmana na Alemanha, por ocasião do mês islâmico de jejum do Ramadã.

Este ano o mês sagrado para os muçulmanos cai em maio, mas seu início varia de país para país, segundo a lua nova. No Estado de Catar, Indonésia, Líbano, Síria, Egito, Emirados, Barein, Arábia Saudita, Argélia e Turquia teve início dia 6 de maio; já no Marrocos, Paquistão e Índia o Ramadã teve início na terça-feira, dia 7. Trata-se de um período de oração e jejum, durante as horas diurnas, que se concluirá em 3 de junho com a festa que encerra o jejum, chamada Id al-Fitr.

Ataques, crimes que não podem ser minimizados

Em sua mensagem, o cardeal Marx expressa “profunda preocupação com os repetidos ataques perpetrados contra lugares de culto” (mesquitas, sinagogas e igrejas), “crimes vergonhosos que não podem ser minimizados de modo algum. Numa sociedade aberta ninguém deveria ter medo quando entra numa casa de oração”.

Documento sobre a Fraternidade Humana

Referindo-se ao Documento sobre a Fraternidade Humana recentemente subscrito pelo Papa e pelo Grão Imame de Al-Azhar, o purpurado afirma que “uma sociedade culturalmente e religiosamente plural, como a nossa, pode enfrentar melhor as tensões, que por vezes podem surgir, se a ordem do Estado não fazer diferenciação entre cidadãos segundo a pertença religiosa”, o que “não se verifica em muitas partes do mundo.

“Daí, o convite, em particular aos jovens, a transmitir o valor do respeito, porque trabalharão e viverão juntos por longo tempo na sociedade plural que criamos.”

Para o presidente da Conferência episcopal alemã é um “sinal belíssimo” que se tenha agora “o costume, por parte dos fiéis muçulmanos, de convidar pessoas de outras religiões quando acaba o jejum: é espaço para a hospitalidade e para abater os preconceitos”.

Bispo italiano de Frosinone, Dom Ambrogio Spreafico

Que o Ramadã seja também “uma ocasião para que diante de Deus se redescubram as razões da paz para todos, indistintamente”: são os votos expressos, por sua vez, pelo bispo de Frosinone-Veroli-Ferentino e presidente da Comissão episcopal italiana para o ecumenismo e o diálogo, Dom Ambrogio Spreafico. “Faço votos de que a oração deste mês possa liberar energias de amor e de paz no mundo”, afirma.

O prelado italiano recorda que o Ramadã deste ano se dá num clima fortemente marcado por ataques e violências contra fiéis e oração, cristãos, muçulmanos e judeus.

Verdadeira oração, energias de paz e amor no mundo

“Creio que nos encontramos diante de identidades doentias – observa o bispo –, identidades que querem o confronto, que pensam viver, crescer de modo identitário em confronto com os outros. Mas uma identidade que se confronta, que mata, que elimina, que cria muros, jamais será uma identidade triunfante. Como cristãos, Jesus nos mostra e ordena a seu querido amigo e discípulo que coloque de volta sua espada na bainha”, acrescenta.

“A violência só provoca violência. É dramático cada vez assistir a esses ataques contra homens e mulheres em oração. Uma oração verdadeira e sincera só pode liberar energias de paz e de amor no mundo”, conclui Dom Spreafico.

Fonte: Vaticano News

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