No Brasil, povos indígenas e afrodescendentes sofrem das mesmas mazelas. Então não dá para lutar sozinho. A tendência é construir redes para lutar juntos, embora a experiencia neste domínio seja ainda pouca – considera Maria Petronila Neto, agente pastoral na Arquidiocese de Porto Velho, no Brasil, e auditora no Sínodo.

Dulce Araújo – Cidade do Vaticano

Maria Petronila Neto é agente da CPT, Comissão Pastoral da Terra, na arquidiocese de Porto Velho. Trabalha com as comunidades tradicionais da área rural (indígenas, quilombolas, seringueiros, quebradeiras de coco, etc.).

Quilombolas

Em entrevista à Radio Vaticano, deteve-se de modo particular sobre a questão dos quilombos e falou das ameaças que sofrem, da pouca propensão do governo a legalizar devidamente os seus territórios e do perigo de, tal como populações indígenas, os quilombolas serem expulsos das suas terras.

Existem organizações nacionais para o tratamentos tanto das questões que dizem respeito aos indígenas (FUNAI), como aos afrodescendentes (CONAQ). Mas, não havendo vontade do governo, esses povos tentam organizar-se para, com o apoio da Igreja, conquistarem os seus direitos.

Também do lado da Igreja os organismos oficiais trabalham, de certa forma, separados.

Clima político não favorável

O clima politico actual não é favorável. Por isso, há que organizar-se em rede. A Igreja também sente a necessidade de unir, de algum modo, os diversos serviços da pastoral.

As articulações vão tomando corpo, mas a experiencia de trabalho em rede é ainda pouca – diz Petronila. Ela acrescenta que o trabalho da pastoral é de apoio total a esses povos na conquista dos seus direitos. E lamenta a facilidade com que jovens negros são mortos no Brasil – aquilo que muitos chamam de “genocídio” dos negros.

Uma Igreja toda profética

Falando da Arquidiocese a que pertence – Porto Velho – Petronila sublinha que a Igreja evangeliza numa óptica de inculturação, tendo em conta também o aspectos sociopolítico, pois um povo sem território está destinado a sumir. No Sínodo – refere – “estamos gritando por uma Igreja toda profética” que junte a sua voz à defesa da vida dos povos, mais do que traduzir a Bíblia nas línguas locais. Ela está muito esperançosa quanto aos resultados do Sínodo, embora pense que alguns temas como o diaconado feminino possam não ser ainda plenamente tomados em consideração. Espera, contudo, numa maior colocação do desafio da Amazónia no contexto da evangelização.

Romper a discriminação

Quando aos afrodescendentes especificamente, Petronila considera que para além de lutarem como os outros por melhores políticas públicas, tem também de lutar pelo rompimento das discriminações raciais.

Fonte: Vatican News
Foto: Maria Petronila Neto – Auditora no Sínodo, Agente da CPT, Arquidiocese de Porto Velho, Rondónia, Brasil

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