sábado, abril 4, 2020
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Cardeal Baldisseri e a sinodalidade segundo Francisco

O secretário-geral do Sínodo dos Bispos comenta ao Vatican News a decisão do Papa Francisco de dedicar a próxima Assembleia Ordinária, em 2022, ao tema da sinodalidade.

Alessandro De Carolis – Cidade do Vaticano

É uma pedra angular de seu Pontificado, destacada em todas as ocasiões úteis para ajudar a Igreja a redescobrir uma faceta de sua alma conciliar. A palavra é “sinodalidade”, citada diversas pelo Papa Francisco e confiada aos teólogos da Comissão Internacional, para que dela colhessem e repropusessem sua força, também do ponto de vista magisterial, como ocorrido em um estudo publicado em 2018.

Agora, depois de tê-la experimentado em muitos Sínodos, é precisamente o valor da sinodalidade que se torna objeto de debate de uma assembleia episcopal, quando os maiores expoentes da Igreja se reunirão para refletir sobre a natureza espiritual do vínculo que une, ou ao menos deveria, cada membro do corpo eclesial, em todos os níveis, da Santa Sé à paróquia da última periferia.

Durante o discurso de comemoração pelos 50 anos da instituição do Sínodo dos Bispos em 2015, o Papa Francisco afirmou que “o caminho da sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio”.

A sinodalidade é, portanto, um passado que ainda tem muito futuro a ser descoberto para não ser confundida com algo que diz respeito apenas às reuniões de cardeais e bispos no Vaticano ou à sua versão “reduzida”, às convocações nas dioceses.

A sinodalidade, segundo Francisco, quer dizer que “todos os batizados devem ser envolvidos, ser atores e não espectadores, como no teatro, todos protagonistas, cada um em seu papel”, explica o secretário geral do Sínodo dos Bispos, cardeal Lorenzo Baldisseri, ao Vatican News.

Eminência, “Igreja e sinodalidade: comunhão, participação e missão”: a próxima Assembleia une o magistério do Concílio com a redescoberta que o Papa pede sobre esse aspecto …

O discurso que o Santo Padre proferiu no 50º aniversário da Apostolica Sollicitudo, que instituía o Sínodo com Paulo VI, é um discurso fundamental no qual destaca precisamente como a sinodalidade é uma dimensão constitutiva da Igreja e esse aspecto abrange toda a Igreja na comunhão, na participação e na missão. Eis porque o título que foi escolhido para o próximo Sínodo ordinário tem precisamente esses termos. O Sinodal expressa a subjetividade de todos os batizados: se parte do Batismo, eis porque o Sínodo como tal – na visão de Paulo VI, mas especialmente naquela do Papa Francisco – tem um conceito muito mais amplo da colegialidade. A colegialidade diz respeito a todo o episcopado, o Colégio onde o Papa, como Sucessor de Pedro, é o chefe do Colégio. Mas o que queremos destacar através da sinodalidade, também todos os batizados devem estar envolvidos e são atores, ou seja, não há atores e espectadores como no teatro, mas todos são protagonistas, cada um e, naturalmente, as funções segundo a própria constituição da Igreja. Eu diria que não é uma novidade. Já São João Crisóstomo afirmava que a Igreja e o Sínodo são sinônimos, seriam todos os batizados que caminham juntos. Creio que o Papa tem a intenção de retornar a esse conceito do primeiro momento, o de uma Igreja não estática, não anacrônica, mas uma Igreja viva que caminha e caminha junto.

Não existe um tipo único de sinodalidade, mas existem vários níveis de sinodalidade …
Existem vários níveis de sinodalidade. O primeiro nível que eu gostaria de dizer é o universal, onde encontramos o Papa, o colégio episcopal, o povo de Deus. Depois há um nível particular, isto é, o das dioceses, em que há um bispo, há um presbitério, há os diáconos e há o povo de Deus. E depois também a paróquia é outro nível, há o pároco, o conselho paroquial … se governa dentro de uma paróquia em dimensão menor o que acontece de forma mais ampla na Igreja. O que o Santo Padre deseja sublinhar, e frequentemente o repete, é a necessidade de caminhar, de se mover – e também de ser criativos.

Eminência, na mídia – mas também às vezes na própria Igreja – há uma tendência de confundir o Sínodo com a sinodalidade. Como podemos explicar a distinção entre esses dois aspectos?

O Sínodo nasceu durante o Concílio Vaticano II, porque havia propostas muito fortes dos Padres Conciliares de haver uma maior participação no governo da Igreja estando próximo ao Papa. E também era difícil, naquele momento, encontrar a palavra “correta”, e efetivamente se chegou a esta palavra, “Sínodo”. Atualmente, o Sínodo é o Sínodo dos Bispos, mas se está estudando como fazer com que o povo de Deus tenha maior participação nesse grande movimento, que é uma Igreja Sinodal. Percorremos um longo caminho desde o Concílio Vaticano II, porém o Papa quer que seja aprofundado ainda mais.

Para concluir, poderíamos recordar o conceito da “pirâmide invertida” da qual, entre outras coisas, também fala o estudo de 2018 da Comissão Teológica Internacional…

Exato. O Papa falou da pirâmide invertida. Ou seja, o que mais aparece no mundo é a parte mais alta. Primeiro havia o chefe, hoje em dia o chefe é quase o fundamento, o apoio: Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Igreja”. E aqui nada se perde, nem autoridade nem outra coisa, porque cada um nesta pirâmide tem sua função.

Fonte: Vatican News
Foto: “O caminho da sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio”. “O caminho da sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio”. (ANSA)

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