terça-feira, abril 20, 2021
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Cardeal Piacenza e a atualidade e o significado da penitência cristã

Via Sacra na Praça São Pedro (Copyright 2020 The Associated Press. All rights reserved)

Com uma carta, o penitenciário-mor do Tribunal da Penitenciária Apostólica, cardeal Mauro Piacenza, dirige-se aos fiéis para explicar o sentido profundo dos gestos que a Igreja os convida a praticar no tempo forte da Quaresma. Um tempo de penitência, escreve ele, mas também de participação na vitória definitiva de Cristo sobre o mal, a única que pode trazer alegria e salvação à humanidade hoje provada pela pandemia.

Adriana Masotti – Vatican News

Quaresma e pandemia: Quaresma, tempo forte que marca o Calendário Litúrgico e a vida da Igreja, enquanto a pandemia afeta a vida de toda a humanidade hoje, e as duas têm algumas palavras em comum que pareciam ultrapassadas, pelo menos no Ocidente.

É a partir desta constatação que o penitenciário-mor, cardeal Mauro Piacenza, inicia sua reflexão proposta aos fiéis em uma carta divulgada nesta sexta-feira, 19. Precisamente agora, diz o texto, “aos cidadãos de todo o mundo é pedido que renunciem, ao menos em parte, ao exercício das liberdades individuais, a sacrificar o próprio ‘estilo de vida’ com a adoção das necessárias precauções higiênico-sanitárias, de obedecer às indicações da autoridade constituída, mesmo quando impedem a assistência, senão a última despedida, a um familiar hospitalizado”.

Restrições e penitência a espera de um futuro positivo

Para exortar os cidadãos a essa disponibilidade antes impensável, as mídias de massa, observa o cardeal Piacenza, veiculam três mensagens: a denúncia de “um perigo iminente, diante do qual cada um é responsável ​​por si e pelos outros”; o anúncio de “um horizonte futuro, substancialmente positivo”; a garantia de que “existe um prazo para a espera e o sacrifício necessários”.

O purpurado assinala que, pelo menos em parte, essas sempre foram as coordenadas da penitência cristã no tempo quaresmal. E explica que, ao menos em parte, na Coleta da Quarta-feira de Cinzas pedimos a Deus para iniciar com o jejum e a penitência um caminho de conversão que nos permita vencer “o espírito do mal”, o inimigo à espreita. Mas imediatamente “nos é desvelado um horizonte positivo, que é a vitória conquistada pela Cruz de Cristo”, da qual todos são chamados a participar. Por fim, põe-se um fim à luta “representada pelo” número sagrado “dos quarenta dias, tempo de verdadeira conversão e salvação”.

A vitória de Cristo: salvação da alma e do corpo

Na carta, o penitenciário-mor enfatiza que o mal do qual se fala neste caso e a vitória sobre ele, têm “uma importância incomparável para a vida do homem, porque dizem respeito não somente ao bem temporal da saúde corporal, mas ao bem mais radical da salvação eterna e da alma e do corpo”.

O cardeal Piacenza prossegue, escrevendo que precisamente por isso a Quaresma começa com a imposição das cinzas e a fórmula penitencial “Recorda-te que és pó e ao pó retornarás”, que nos recorda que somos criaturas totalmente dependentes de Deus, e cuja vida, humanamente destinada a terminar, “tem no grande Céu de Deus, e não nas coisas da terra, seu pleno sentido e finalidade última”.

O purpurado faz então alguns esclarecimentos a respeito da penitência entendida no sentido cristão: ela, escreve, contém em si “uma alegria muito profunda e um sentido de justiça irredutível, que devem ser redescobertos”, não é, além disso, uma tentativa de obter de Deus aquilo que com as próprias forças não se consegue alcançar, mas expressão de uma vontade “de responder inteiramente a esse Amor, todo divino e todo humano, que em Cristo assumiu o mal do mundo e, com a própria Cruz e ressurreição, renovou o universo despedaçado pelo pecado”.

A penitência cristã é, portanto, uma virtude dada pelo Espírito, que com o homem entrega a própria vida ao Senhor, aceitando sofrer com ele e participando assim na Vida nova de Cristo que, submetendo-se à Cruz, “sentou-se à direita do trono de Deus”.

A verdadeira penitência cristã transfigura a emergência atual

Da presença viva do Redentor “centro do cosmos e da história”, tomam forma – afirma o cardeal Piacenza, aquelas atenções que pertencem à tradição litúrgica e espiritual da Igreja e das quais ele enumera as principais: “uma justa consideração de si mesmo no exame de consciência; a conversão da relação com Deus, consigo mesmo e com os irmãos, pela prática da oração, do jejum e da esmola; a memória quotidiana de Cristo presente através da oferta dos “propósitos quaresmais”; a memória de Sua Paixão redentora na prática piedosa da Via Sacra; a recitação de Salmos penitenciais; as ladainhas dos santos, que são a verdadeira grande “maioria” no mundo de Deus; as rogações, nunca abolidas e tão urgentes hoje; a contemplação amorosa de Cristo, Crucificado e Ressuscitado, na celebração e adoração da Eucaristia; a oração, confiante e sincera à Bem-aventurada Virgem Maria das Dores (…) já plenamente partícipe na glória da Ressurreição”.

E é a ela que o purpurado se dirige, ao concluir a carta, para que nos ajude a amadurecer a verdadeira penitência cristã, “a única capaz de abraçar e ver transfigurada em ocasião da salvação a atual emergência pandêmica”, trazendo novamente ao coração alegria e liberdade.

Fonte: Vatican News

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