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Porto Velho, 26 de outubro de 2021 - 14h51
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Lesbos, irmãs scalabrinianas ao lado de migrantes e refugiados

Acaba de partir para a ilha grega, pelo segundo ano consecutivo, a missão itinerante de um grupo de religiosas, em colaboração com a Comunidade romana de Santo Egídio, para apoiar milhares de pessoas que buscam a salvação na Europa

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Entre as muitas mãos estendidas àqueles que se refugiam na área de fronteira da ilha grega de Lesbos, à qual chegam migrantes e refugiados após viagens intermináveis, exaustivas e perigosas, estão as das irmãs scalabrinianas. Para elas, cujo carisma é o serviço evangélico e missionário aos migrantes, estar em Lesbos significa “servir o Cristo Peregrino, o Cristo migrante”. Sua presença faz parte da atividade solidária de verão, até 31 de agosto, realizada pela Comunidade romana de Sant’Egidio ao lado dos refugiados no campo denominado Moria 2, após o incêndio que em setembro do ano passado destruiu o campo de Moria e que, até hoje, abriga cerca de 4.500 pessoas, que vivem em tendas e contêineres colocados ao longo do mar.

Sete scalabrinianas a serviço dos refugiados de Lesbos

Sete irmãs scalabrinianas no total estão trabalhando em Lesbos durante os meses de verão, incluindo uma italiana, Irmã Patrizia Bongo, nascida em 1975, enfermeira e missionária na Suíça. Ela disse ao Vatican News que conhece a migração em primeira pessoa, porque viveu a maior parte de sua vida na Alemanha, para onde seu avô emigrou muitos anos antes.

Sou a filha de uma emigração rica”, ressalta a religiosa, “fui para a Alemanha de carro, não tenho a experiência do meu avô que, pobre homem, não sabia onde ele iria parar”. Ele entrou no trem na Puglia (região do sul da Itália, ndr) e desceu em uma estação alemã sem saber onde estava”.

“Experimentei a emigração do não ser compreendida por causa das dificuldades linguísticas, posso me identificar com as condições de um emigrante, mas não com as de um refugiado, de uma pessoa deslocada, porque não as experimentei, e ver estas situações aqui é realmente de partir o coração.”

Barricadas, arame farpado e polícia

Em Lesbos, há um alarme constante ao qual todos devem responder, explicam as scalabrinianas, chamadas a ajudar todos aqueles que continuam lotando as rotas do Mediterrâneo e cuja atividade missionária, na ilha grega, não é somente em resposta a necessidades concretas, mas também à busca de conforto daqueles que perderam tudo, sobretudo as pessoas mais queridas.

“Como irmãs scalabrinianas – diz a Irmã Patrizia – aqui em Lesbos somos uma gota de água muito simples no vasto oceano, nosso papel é dar um sorriso, nossa amizade, dar amor”. Antes de chegar a Lesbos, Patrizia estava entusiasmada, ela havia se informado através da Comunidade de Santo Egídio, havia olhado algumas fotos, mas nunca teria imaginado o que encontrou.  “Quando cheguei aqui à ilha e me aproximei do campo, vendo aquelas barricadas, o arame farpado, vendo a polícia nos controles, isso me fez lembrar muito do campo de Auschwitz. Tive um sentimento de tristeza porque vejo que a situação aqui é muito complicada. Embora os migrantes, refugiados, estejam localizados na orla marítima, deve-se dizer que é uma área muito quente, com mais de 45 graus, um calor muito sufocante, é cansativo viver nesses contêineres que são pequenos e nos quais há 8/9 pessoas”.

Sobrevivência diária

As palavras das irmãs são dramáticas, mas além de contar o sofrimento das milhares de pessoas confinadas no campo, elas também revelam a tenacidade dos muitos voluntários provenientes de toda a Europa para ajudar. A Irmã Patrizia continua: “Vejo o empenho que é dado na tentativa de ensinar os migrantes a lavar as mãos, a higienizá-las, existe uma associação que também distribui máscaras…. Mas o que está faltando, por exemplo, é água corrente, não há um poço, eles vivem de baldes, pequenas latas de água para escovar os dentes ou lavar a louça”. E, entre os mais vulneráveis, há também pessoas paralisadas, vivendo em cadeiras de rodas, cujo caminho é inviabilizado pelo chão não pavimentado.

As orações e a indiferença da Europa

Onde os coletes salva-vidas são jogados, as irmãs prepararam um canto para a oração, e é ali que elas pedem a Deus para ajudar a todos aqueles que são forçados a migrar. A religiosa scalabriniana acrescenta: “Só podemos oferecer nosso sorriso, apesar das máscaras”, porque são os olhos que falam de um futuro de esperança. E tudo isso também a fim de responder ao pedido do Papa Francisco, que foi a Moria cinco anos atrás, para ir em direção às periferias humanas, para ser a Igreja em saída. “Nosso carisma se compromete a seguir o que o Papa também deseja e nos indica para acolher, promover, integrar e proteger”, quatro verbos que as religiosas carregam no coração, comprometendo-se a implementá-los em sua vida cotidiana, mas que não impedem a Irmã Patrizia que ela faça uma pergunta dramática: “Pergunto-me por que, hoje, no primeiro mundo que é a Europa, ainda existe toda esta dificuldade, esta situação complicada, desastrosa e pouco humana, que a Europa não considera”.

Fonte: Vatican News

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