terça-feira, agosto 4, 2020
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O Papa no Dia do Migrante e Refugiado: “Forçados como Jesus Cristo a fugir”

Segundo um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, divulgado nesta sexta-feira (06/03), a mensagem é centrada no cuidado pastoral dos deslocados internos, que atualmente são mais de 41 milhões em todo o mundo.

“Forçados como Jesus Cristo a fugir”. Este é o tema, escolhido pelo Papa Francisco, da mensagem para o 106º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado que será celebrado no domingo, 27 de setembro de 2020.

Segundo um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, divulgado nesta sexta-feira (06/03), a mensagem é centrada no cuidado pastoral dos deslocados internos, que atualmente são mais de 41 milhões em todo o mundo.

Como é bem evidente no título, a mensagem parte da experiência de Jesus deslocado e refugiado junto com os seus pais, a fim de reiterar a importância da base cristológica específica do acolhimento cristão.

A mensagem será desenvolvida em seis subtemas, expressos em seis verbos: conhecer para compreender; aproximar-se para servir; ouvir para se reconciliar; compartilhar para crescer; envolver para promover e colaborar para construir.

Para favorecer uma preparação adequada da celebração desse dia, também este ano, a Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral deseja lançar uma campanha de comunicação. Todos os meses, serão propostas reflexões, material informativo e recursos multimídia para aprofundar o tema escolhido pelo Santo Padre.

O secretário adjunto da Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, pe. Fabio Baggio, fala ao Vatican News a propósito do tema e sua tradução na atualidade.

Pe. Baggio: O Santo Padre escolheu esse título da mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado deste ano, a fim de manifestar sua preocupação pela categoria de pessoas em movimento que muitas vezes é esquecida. Trata-se de deslocados internos. Falamos de mais de 40 milhões de pessoas, 41 milhões, segundo os dados mais recentes, que representam uma grande porção das pessoas que estão em movimento hoje, mas que não atravessam os confins, permanecem em seu território nacional. É por isso que eles são obviamente de competência dos vários governos e geralmente permanecem anônimos. O fato de dedicar a mensagem a eles significa destacar essa situação particular e também dedicar-lhes palavras que são indicações e reflexões destinadas aos agentes pastorais para que também possam trabalhar com essas pessoas. O ícone do qual o Santo Padre quis iniciar é o de Jesus Cristo Menino que, com sua família exilada, viveu a experiência de ser forçado a deixar sua terra por causa de uma perseguição, naquele caso, ou por causa de conflitos, ou por causa de desastres naturais. Essas são as principais razões, junto com outras, que são reconhecidas mundialmente e que levam esses milhões de pessoas a abandonar suas terras. Existe sempre o desejo, é claro, de poder retornar. Às vezes, isso não é possível. São desafios também lançados às nossas comunidades cristãs que, por um lado, devem acolher, e de outro, reconstruir uma história juntos. Também, muitas vezes, acompanhar os processos de retorno, quando possível, aos territórios que foram abandonados devido aos fenômenos que mencionei antes.

Esta mensagem reitera uma “base cristológica do acolhimento cristão”. O que significa?

Pe. Baggio: Não nos esqueçamos de que em cada pessoa que bate à nossa porta, o pobre, o faminto, o sedento, o nu, o estrangeiro e todas as pessoas vulneráveis, há sempre Jesus Cristo. Nós chamamos isso de “base cristológica”, dada por Mateus 25, 35: “Pois eu, neste caso, era estrangeiro, e vocês me receberam”. Eu era estrangeiro porque vinha de outro município, de outra região ou de outro país. É o que todos os “outros” têm em comum com quem normalmente não nos vemos partilhando uma experiência de vida quando, em momentos de necessidade, batem à nossa porta. É Jesus Cristo que bate e pede para ser acolhido, para ser servido e amado, e essa é a “base cristológica” do nosso acolhimento cristão.

A mensagem se desenvolve em seis subtemas expressos em seis verbos ricos de significado: conhecer, aproximar, ouvir, compartilhar, envolver e colaborar, que são hoje particularmente fortes, dada a situação atual. É assim?

Pe. Baggio: Certamente. Lembremos, também neste quinto aniversário da Laudato si’, que cada um desses subtemas foi bem aprofundado pelo Santo Padre a partir da Laudato si’ em adiante, reconhecendo que é apenas com uma nova perspectiva humanística bem fundamentada no que é o projeto divino da criação, ou seja, o que é o nosso dicastério, o Desenvolvimento Humano Integral que deve ser promovido num contexto de fé baseado no projeto de Deus, no qual podemos realmente trabalhar. Então, começando pelo conhecimento, nós realmente iremos ao promover; depois, começando do servir, iremos ao construir juntos. Todos esses verbos serão lidos, na mensagem do Santo Padre que será publicada daqui a poucas semanas, num desenvolvimento progressivo de atividades concretas que nos tornam, por um lado, mais “pessoas” de acordo com o projeto de Deus, e fazem com que os outros também sejam.

Fonte: Vatican News

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