segunda-feira, fevereiro 17, 2020
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Papa inaugura “Super Nuns” em apoio às irmãs que trabalham com vítimas do tráfico humano

Por ocasião do Dia Mundial de Oração e de Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, o Papa Francisco encontrou de forma privada na manhã deste sábado na Biblioteca do Palácio Apostólico, alguns membros da rede Talitha Kum e da Fundação Galileo, para lançar a comunidade “Super Nuns”, que se propõe a levantar fundos para irmãs comprometidas no resgate das vítimas do tráfico de seres humanos

Cecilia Seppia e Debora Donnini – Cidade do Vaticano

Com o primeiro clique, o Papa Francisco inaugurou “Super Nuns”, a comunidade na plataforma Patreon, idealizada para arrecadar fundos em favor das vítimas do tráfico de seres humanos e para financiar projetos de assistência e apoio.

O projeto lançado pela Talitha Kum – a Rede Internacional da Vida Consagrada comprometida em reconstruir essas vidas e protegê-las dos traficantes – e patrocinado pela Fundação Galileo, prevê a parceria de vários artistas de rua, entre os quais Stephen Power, também conhecido como ESPO, grafiteiro estadunidense, e Leiji Matsumoto, pioneiro da animação japonesa. Repetidamente, o Papa falou sobre o drama do tráfico, também pedindo ações concretas.

Francisco, na manhã deste sábado, cumprimentou a todos pessoalmente e a irmã Gabriella Bottani, coordenadora internacional de Talitha Kum, apresentou o site ao Papa.

O artista Stephen Power pediu a Francisco para autografar uma cópia da primeira imagem e uma foi presenteada ao próprio Papa.

A inauguração contou com a presença de algumas irmãs da rede Talitha Kum, nascida por iniciativa da União Internacional das Superioras Gerais (UISG) e que há 10 anos promovem a colaboração e o intercâmbio de informações entre mulheres e homens consagrados em 70 países do mundo, para erradicar o flagelo da escravidão.

Irmã Bernadette Mary Reis pediu um comentário para a irmã Gabriella Bottani:

R. – O tema do tráfico de seres humanos, assim como o trabalho que estamos realizando, é muito querido pelo Papa Francisco, e ele mostrou isso mais uma vez ao aceitar o convite para ser o primeiro a entrar na página Patreon de “Super Nuns” de Patreon, e estamos profundamente agradecidas e felizes por isso.

Em que consiste esta iniciativa?

R. – Para nós, é um grande desafio e também acredito em um grande dom. “Super Nuns” nasceu de uma proposta de John McCaffrey, da Fundação Galileo, que estava em contato com a sociedade Edelman, uma grande empresa de comunicação nos Estados Unidos, e que a cada ano doa seu trabalho gratuitamente para projetos sociais. Em 2019, escolheram precisamente Talita Kum por ocasião de nossos 10 anos de vida, e iniciamos um diálogo com a equipe criativa de Edelmann, que deu vida à “Super Nuns”. Um dos primeiros obstáculos que encontramos foi justamente como contar a história de Talitha Kum sem colocar em risco a identidade das irmãs e respeitar as vítimas. Percebemos as pessoas que acompanhamos todos os dias, que sofrem ou que sofreram com o tráfico, dos testemunhos, que no início foi um ponto crítico das relações com o grupo criativo, que depois tornou-se um espaço bonito, de novidades. Edelmann então nos fez a proposta de trabalhar com alguns artistas que trabalham na área de quadrinhos e animação. O primeiro que aceitou é um artista famoso dos Estados Unidos, que trabalha com graffiti nas paredes. Não nego que, no começo, estávamos preocupadas com esse mundo desconhecido. Então, no diálogo e no encontro que ocorreu com os artistas e entre nós religiosas, percebemos que é uma parceria “poderosa” porque nos permite contar as histórias de Talitha Kum e de respeitar aqueles que são nossos valores. Pudemos constatar que a linguagem usada pelos artistas é uma linguagem que vai além, é inovadora e que pode alcançar um público que nunca poderíamos alcançar; também nos ajuda a repensar, a propor nosso trabalho com modalidades novas que nos fascinam.

O que pensam fazer com essa colaboração entre artistas e Talitha Kum?

R. – Antes de tudo, queremos apresentar o tópico do tráfico com novas modalidades: falar, sensibilizar sobre esse assunto também a partir do nosso trabalho, daquilo que fazemos a cada dia, mas também solicitar fundos que irão em parte cobrir os custos que a vida religiosa feminina apoia, quer para a prevenção, quer para a assistência e reintegração social, como para o atendimento às vítimas. Estamos tentando calcular uma média dos custos investidos pelas irmãs nesta área. De acordo com os dados de algumas pesquisas que realizamos, os custos variam de 2.000 a 10.000 euros apenas para apoiar a volta para casa de uma vítima de tráfico por um período breve. Falamos de poucos meses até no máximo um ano, mas em alguns casos temos que acompanhá-los por vários anos, porque as feridas são tão profundas que as pessoas em um ano não estão prontas para reconstruir suas vidas.

Concretamente, como se pode acessar a plataforma?

R.- Do endereço internet Patreon.com/supernuns. A Edelman criou esta plataforma Patreon, que é uma plataforma de artistas que doam e estão doando seus trabalhos e pode ser acessado ​​doando de um mínimo de US$ 2 a US$ 25, mas também mais, depende… Porém, no geral, partimos de um preço mínimo, incentivando assim todos a contribuir, mesmo com pouco. E se todos doarmos uma pequena quantia mensal, juntos podemos realmente enfrentar aquele que é o desafio do tráfico.

Fonte: Vatican News

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