sábado, maio 15, 2021
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Volta a Roma o Arquivo particular do Papa João Paulo I

A Fundação João Paulo I completa um ano. Foi criada pelo Papa Francisco para estudar e aprofundar o pensamento e os ensinamentos do Pontífice. Várias atividades foram realizadas nos últimos meses, começando com a transferência do documentário “patrimônio”. Entrevista com a vice-presidente Stefania Falasca: “São os papéis de uma vida que nos ajudam a entender seu caráter e seu pensamento”.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Há um ano, em 28 de abril de 2020, nascia a Fundação Vaticana João Paulo I, criada pelo Papa Francisco para aprofundar o pensamento e os ensinamentos de Albino Luciani, padre, bispo, patriarca e, por apenas 34 dias, pontífice. Em um ano, a Fundação trabalhou arduamente para consolidar sua estrutura e preparar atividades que contribuam para a recuperação do patrimônio teológico e cultural do Papa de origem veneziana. Foram tomadas medidas importantes nestes doze meses, apesar das condições adversas ditadas pela pandemia.

Entre as quais, a transferência do Arquivo privado de João Paulo I do Patriarcado de Veneza para Roma, na sede da Fundação na Via della Conciliazione. Um patrimônio de fundamental importância, constituído por 64 pastas com documentos – desde fotos e cartas até o diário utilizado durante o pontificado – para a realização do projeto da “opera omnia” do homem que foi Papa por cerca de um mês. “São os papéis de uma vida”, explica Stefania Falasca, vice-presidente da Fundação Luciani e presidente do Comitê Científico, bem como vice-postuladora da causa de canonização.

Stefania Falasca: Trata-se de uma coleção muito rica de documentos variados e heterogêneos, que abrangem meio século: de 1929 a 28 de setembro de 1978, formada por documentos autografados, cadernos, diários, material impresso e fotográfico, correspondência. Um total de 64 pastas com documentos nas quais, a partir dos cadernos com as anotações das aulas como aluno do Seminário Gregoriano de Belluno, chega-se aos 66 diários de seu episcopado de 1960 a 1978, incluindo o diário de couro azul com as iniciais AL, que continuou a utilizar durante os 34 dias de seu pontificado e no qual  estão registradas as suas últimas palavras. São os papéis de uma vida.

Qual é o conteúdo e o valor desses documentos?

Stefania Falasca: O conteúdo destes papéis, que é caracterizado principalmente como um arquivo pessoal, é principalmente de discursos, palestras, homilias, artigos. Mesmo que excepcionalmente existam descrições pontuais em forma diária, como algumas notas relativas à sua participação no Concílio Vaticano II ou na audiência privada com João XXIII por ocasião de sua consagração episcopal, Luciani não escrevia em forma de diário íntimo e privado. Não há sequer a intenção de atribuir a seus documentos a tarefa de comemorar uma vida ou um projeto: o arquivo de Luciani aparece como um arquivo de pessoa que se enquadra nos arquivos definidos “evidência de identidade”. Os documentos de Albino Luciani certamente dizem muito, em seu todo e em suas partes, sobre o perfil de quem os escreveu e preservou e representam uma fonte privilegiada para estudar a elaboração de um pensamento e de um tema e suas oscilações, e para compreender o caráter de Luciani em relação às contingências que ele viveu e passou.

A Fundação Luciani completa um ano de existência. Nascida em plena emergência sanitária, como tem realizado seu trabalho até agora?

Stefania Falasca: Depois de 40 anos da sua morte, também para o Papa João Paulo I, como para outros Pontífices recentes, foi criada uma instituição dedicada à salvaguarda de seu patrimônio documental e ao estudo de sua obra. No espaço de um ano, foi feita uma tentativa de suprir esta falta, estabelecendo as bases para a realização dos objetivos que a Fundação estabelece para si mesma. E apesar das circunstâncias adversas devido à pandemia, demos passos importantes. Entre estes certamente o retorno à Santa Sé do corpus dos papéis de João Paulo I foi um passo importante. Dada sua importância, nossa atenção prioritária se concentrou no Arquivo privado de Albino Luciani, que constitui o “patrimônio” da Fundação e é fundamental para a realização do projeto da opera omnia.

Quais iniciativas futuras estão planejadas?

Stefania Falasca: Uma vez concluída a catalogação, o Comitê Científico estabelecerá o trabalho a longo prazo a ser realizado sobre os trabalhos do Arquivo que necessitam de transcrição e cuidadoso exame filológico e o projeto para a criação da Opera Omnia. Quanto à série dedicada a João Paulo I que começamos com a Libreria Editrice Vaticana, logo será traduzido para o espanhol e inglês o livro sobre a morte do Papa Luciani. Usando o método histórico-crítico, com base na documentação de julgamento adquirida, ele restaura à verdade histórica as circunstâncias da morte de João Paulo I. Na mesma série, a próxima publicação diz respeito à edição crítica dos ensinamentos de João Paulo I, com a sinopse completa dos discursos escritos e pronunciados pelo Pontífice e incluirá as transcrições de sua agenda pessoal durante os 34 dias de seu pontificado. Considerando também que o Arquivo privado foi unido, como parte integrante, por uma biblioteca bem abastecida, os projetos já aprovados pela Fundação incluem também a reconstituição da biblioteca pessoal de Luciani a ser instalada em Veneza, junto da biblioteca diocesana do seminário patriarcal. Em seguida, está prevista a preparação de uma conferência sobre o magistério de João Paulo I com os trabalhos do Comitê Científico, previsto para a primavera de 2022.

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