segunda-feira, março 25, 2019
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Encontro: Conferencia dos Religiosos do Brasil – Noroeste

Aconteceu neste sábado o encontro de acolhida dos novos Religiosos e Religiosas que chegaram neste ano na Diocese de Porto Velho.

Em clima alegre todos os religiosos e religiosas se reuniram no salão da Catedral para este momento. Após uma oração inicial realizada pela CRB (Conferencia dos Religiosos do Brasil), o Bispo Dom Roque fez a acolhida dirigindo- se aos presentes com estas palavras:

Queridos irmãos e irmãs religiosos dessa Arquidiocese,

Desejo iniciar minha breve fala recordando uma das frases contidas na mensagem que a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica enviou no último dia 02 de fevereiro, por ocasião do 23º Dia Mundial da Vida Consagrada, na qual dizia: “São milhares os consagrados e consagradas no mundo inteiro que acolhem o dom da vocação com alegria e disponibilidade nos múltiplos carismas, que em sua vida buscam o rosto de Deus, comprometendo-se a construir a paz e a fraternidade, apesar das dificuldades”. Motivado por essas palavras, quero primeiramente, agradecer a Deus pelo dom da vocação de cada um e cada uma de vocês e, em segundo lugar, agradecer a vossas Congregações e Institutos por estarem aqui, nessas terras rondonienses, neste pedaço da Amazônia contribuindo com vossos carismas, apesar das dificuldades que todos sabemos não serem poucas.Gostaria de poder falar apenas de coisas bonitas, mas a realidade se apresenta desafiadora para o mundo todo, para o Brasil e, também, para esta Arquidiocese de Rondônia. O cenário político não é dos mais promissores, menos ainda o cenário social. Constatamos em todo momento invasões aos territórios dos povos indígenas, quilombolas e camponeses. Assistimos diariamente os direitos dos pobres sendo atacados. Ficamos estarrecidos diante dos crimes ambientais e rezamos quase que impotentes para que não aconteça conosco, visto que estamos rodeados por hidrelétricas e mineradoras. E, como se não bastasse, soma-se a tudo isso o crescimento da violência, do preconceito, da intolerância e do feminicídio fomentados pelos discursos de ódio que partem de todos os lados, inclusive, do lado de cá da Igreja.

No entanto, a fé nos diz que é no momento de maior escuridão que a luz se faz mais forte. Por isso, quero trazer para vocês o pensamento de uma mística moderna, Etty Hillesun, que viveu o horror do holocausto judeu. Nos seus escritos, o que mais espantava essa jovem mulher era a insanidade do comportamento humano durante o nazismo. Ela escreveu: “Meu Deus, estes são tempos tão angustiantes! Esta noite, pela primeira vez, fiquei acordada, no meio do escuro, com os olhos ardendo, enquanto diante de mim passavam imagens após imagens de dor humana. Prometo-te uma coisa, meu Deus, só uma pequena coisa: tentarei não tornar o hoje mais pesado com o peso das minhas preocupações pelo amanhã. […] Tentarei ajudar-te para que tu não sejas destruído dentro de mim. A única coisa que podemos salvar destes tempos, e também a única coisa que conta de verdade, é um pequeno pedaço de ti em nós mesmos. E talvez também possamos contribuir para te desenterrar dos corações devastados dos outros homens”.

Penso que essa é a primeira ajuda que vocês religiosos e religiosas podem dar a esta Igreja: Salvar o pedaço de Deus que existe em cada um de vocês para poder ajudar os outros a desenterrar Deus de seus corações. É com este espírito de fé e confiança que devemos unir forças para abraçar o Sínodo da Amazônia com todos os seus desafios e luzes, como também para abraçar aquilo que propõe o Sínodo da juventude num momento da história humana tão necessitada de um sentido vocacional da vida.

Não percamos a Esperança, pois ninguém está só! Somos Igreja, somos povo de fé que possui um projeto de vida repleto de alegria e de esperança que nasce da experiência batismal. “Somos herdeiros do patrimônio vocacional e carismático da Igreja e sentimos a alegria e o dever de protegê-lo e promovê-lo” (cardeal João Braz de Aviz). Por isso, tenho certeza de que vivendo plenamente as expectativas e as questões de nossa sociedade, conseguiremos também anunciar que, neste mundo que se transforma tão freneticamente e que perde com frequência seus pontos de referência, a salvação ainda está presente e vem de Deus através de seu Filho.

Conto com a doação generosa da vida de vocês e peço a Deus que conceda a vossas Congregações e Institutos, santas e boas vocações que renovem o rosto da Igreja e do mundo, que anunciem a alegria do Evangelho e o amor de Deus que dá sentido à existência.

Que Deus vos abençoeMuito obrigado! Seu irmão, Roque Paloschi.

Muito obrigado! Seu irmão, Roque Paloschi.

Agradecemos a Dom Roque pela calorosa e afetuosa acolhida. Suas palavras com certeza foram e são de grande incentivo e força para nossa caminhada enquanto missionários e missionárias nestas terras da Amazônia.

Após este momento CRB Conferencia dos Religiosos do Brasil, Regional Porto Velho realizou até o domingo o encontro formativo para os coordenadores de núcleos. Este aconteceu na casa provincial das Irmãs Catequistas Franciscanas.

A coordenadora Regional da CRB, Irma Carmelita Fernande conduziu este encontro e mais uma vez fez a acolhida dos coordenadores de núcleos que vieram de Guajará Mirim, Ji Paraná, São Francisco do Guaporé, Vilhena, Cruzeiro do Sul, Rio Branco. Estes coordenadores tem a missão de animar e dinamizar a Vida Religiosa Consagrada nestes núcleos.

Temas muito pertinentes e desafiadores foram apresentados e refletidos neste encontro. Foram convidadas a Irmã Laura e Irmã Janete que trabalham no CIMI para falar sobre a missão tão importante junto aos indígenas. Foram convidadas também Irmã Geni e a jovem Laissa para partilhar o que a Rede Um Grito pela Vida vem realizando em nossa Regional no combate ao tráfico de pessoas.

Nos sentimos impelidas a dar uma resposta enquanto Vida Religiosa Consagrada frente a esses dois desafios: a realidade indígena hoje em nossa sociedade, cada vez mais são massacrados por um poder dominador e avassalador que usurpa os seus direitos; o combate ao tráfico humano que requer de nós uma postura de engajamento maior na Rede Um Grito pela Vida.

Que Maria Rainha da Amazônia nos ajude a sermos coerentes com o Reino e pela opção preferencial pelos pobres.

Texto: Irmã Flávia P. Machado – Assessora Executiva da CRB Regional Porto Velho

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