Porto Velho, 21 de outubro de 2019
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Padre Gilberto Oliveira é o novo pároco na paróquia Santa Luzia

No último domingo (17), a paróquia Santa Luzia acolheu em solenidade o padre Gilberto Oliveira. A celebração eucarística foi presidida por dom Roque Paloschi e concelebrada por outros padres da paróquia como padre Ivo Muller, padre Levino Antônio.

Padre Gilberto é mineiro e desde sempre foi educado na fé católica, aos 23 anos conheceu a Companhia de Jesus quando foi apresentado aos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, ordenado presbítero em 1997 e vive sua missão na região amazônica desde 2013. Já esteve em diversos lugares e agora chega a nossa arquidiocese com o mesmo desejo de servir aos irmãos e irmãs buscando sempre a dignidade para todos.

Conheça um pouco da história de vida do padre Gilberto:

Pe. GIlberto Oliveira

Mineiro da cidade de Montes Claros, desde criança fui educado numa família católica e a participação na missa e os deveres de cristão estão presente e são obrigações fáceis de serem cumpridas. Sou o penúltimo dos 11 irmãos, cinco mulheres e seis homens e aos 4 anos meu pai faleceu e minha mãe, com seus 40 anos, uma mulher de fé inabalável, assumiu os onze filhos e a nós dedicou sua vida e seu trabalho. Professora e exemplo de educadora e cristã nos ensinou a sermos pessoas para os demais e seu lema sempre foi “amar e servir”. Ela era uma poeta, autora de poesias e contos que encantavam-nos os ouvidos e o coração, elevou o nosso olhar para as coisas do alto, como ela dizia, tudo nos vem do alto e em tudo, somos agradecidos. Mulher de fé à Igreja, ela nos mostrou que os ensinamentos da Igreja, orientações para a vida de fraternidade, justiça, solidariedade, misericórdia e comunhão, eram para todos nós o caminho da salvação, o caminho para a vida eterna. E sempre levei esses ensinamentos no meu coração.

Nos estudos, embora com inúmeras dificuldades financeiras e uma vida simples, tiveram importância na minha trajetória. Estudei até o ensino médio com a presença de minha mãe e das irmãs, todas educadoras, nisso eu mesmo teria de ser exemplo para os colegas, sendo aplicado e estudioso, um aluno dedicado. Terminado o ensino médio, fiz administração de empresas e por muito tempo, até aos 27 anos, trabalhei em empresas na área financeira e administrativa. A vocação o chamado a ser religioso se deu quando, aos 23 anos, em minha paróquia entrei na preparação para a crisma e como o padre era jesuíta, ele nos introduziu nos Exercícios Espirituais e com ele fizemos vários retiros. Lembro que na primeira semana desses Exercícios a minha vida tomaria outro rumo e foi nesse ponto de minha participação na vida da Igreja que comecei a ser acompanhado, fazendo o acompanhamento vocacional e espiritual para discernir o Projeto de Vida que mais se aproximasse da vontade de Deus para mim. Ao final da preparação, encontros que me valeram a decisão de ser padre, e entrei para a Companhia de Jesus.

A Primeira etapa da formação chamada de noviciado, porta de entrada para a vida religiosa, realizada no período de 2 anos, foi em Campinhas(SP). Em seguida, as etapas de Juniorado (em João Pessoa), Filosofia (em Belo Horizonte, na FAJE, Faculdade dos Jesuítas, e apostolado nos bairros da periferia, classe popular e de inúmeras carências), Magistério (em São Paulo, no Colégio São Luiz, assumindo a orientação educacional e religiosa do fundamental II e o Ensino médio à noite, dedicado a alunos carente e todos bolsistas; a licenciatura em filosofia, história e sociologia, nas Faculdades Ipiranga), Teologia, em Belo Horizonte, onde morava em um bairro de população carente, distante a faculdade, e o apostolado era também realizado nessas comunidades. Após os estudos de teologia fui para uma etapa chamada de “Preparação para o sacerdócio”, em Curitiba, um tempo de reavivamento de nosso compromisso com a Igreja e com o povo de Deus no serviço ao Evangelho. Após essas etapas de formação, chamadas de 1ª e 2ª provação, fui ordenado diácono e após seis meses, em 1º de agosto de 1997, em Montes Claros, recebi das mãos do arcebispo emérito de João Pessoa, o amigo querido, Dom José Maria Pires, as ordens de presbítero, para servir à Igreja, Povo de Deus, ser o pastor das ovelhas e cuidar, principalmente, das ovelhas mais necessitadas daquelas que estão se distanciando do rebanho.

O lema de minha ordenação: “Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9,36)

A minha primeira destinação foi trabalhar no Colégio Loyola, em Belo Horizonte, assistindo aos funcionários, educadores e alunos, uma presença de pastor e educador naquela comunidade educativa. Em razão do apostolado, fiz especialização em Direitos Humanos, pela Fundação Dom Helder Câmara, mantida pela Companhia de Jesus. E assim as destinações se sucederam, todas para os colégios dos jesuítas. No Colégio Santo Inácio, Rio de Janeiro; pela Puc-RJ, fiz especialização em educação; no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, onde também fui diretor e fiz o curso de pedagogia na Faculdade Santa Doroteia, também respondendo à necessidade da missão naquela realidade. E em 2013, a pedido da Companhia e com o desejo de servir a Amazônia, fui destinado para Santarém (PA), onde fundamos a primeira comunidade dos jesuítas, assumindo com outro companheiro, uma paróquia. Em 2014 fui destinado para o Acre, em Assis Brasil, lugar privilegiado onde tivemos que acompanhar, diuturnamente, a entrada de grupos numerosos de haitianos e seneganeses, migrantes que contavam unicamente com a nossa hospitalidade, desprovidos das condições básicas de sobrevivência. Foi um tempo em que assumindo a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, pude contar com o apoio do Governo Estadual e Federal com a confiança da Policia Federal que, muitas vezes, levava os migrantes até à nossa residência para serem cuidados, e depois, orientada para seguirem viagem até Rio Branco, passando por Brasileia. Visitei inúmeras vezes o abrigo de Brasileia e a responsabilidade com os nossos irmãos só aumentava. Tivemos a alegria de trabalhar conjuntamente, Igreja e governo, e em abril de 2015 foi aberto o abrigo em Rio Branco, com o apoio total das Secretarias de Justiça e Direitos Humanos e de Assistência Social.

Em 2015, em janeiro, fui destinado para Brasileia, também por ser área de fronteira; a pedido do nosso bispo Dom Joaquim, assumi a Paróquia Nossa Senhora das Dores, e, desde então, tenho experimentado um banho de Igreja nessa região. Igreja que acolhe que escuta, que visita. Nosso apostolado é realizado nas visitas às comunidades nas colônias e nos seringais, levando a Palavra de Deus, o serviço religioso de formação e o auxilio sacramental, com a Eucaristia, o Batismo e a unção dos enfermos. Contamos com o apoio de leigos e leigas que assumem a função de monitores e de catequistas nas 52 comunidades, sendo 41 no meio rural e 11 na cidade, tendo a Igreja Matriz, como o centro de nossas atividades pastorais e sociais. Destacamos com alegria o serviço simples, mas de grande relevo, realizado em todas as comunidades, incluindo, sobretudo a formação de líderes, pessoas que se colocam a serviço da comunidade e, como cidadão, exerce o papel cristão de amar com palavras, mas também com obras. Na última alagação pudemos sentir a Igreja naquelas famílias cujas casas abrigavam dezenas de pessoas e nos arraiais, a solidariedade em torno das pessoas que, dependendo do tratamento, precisam de recursos e as comunidades, nesses momentos, dão a resposta consoladora, aglutinam e reúnem-se como Igreja solidária e atende a essas necessidades.

Essa é a Igreja que queremos ser: com os pés fincados na terra, o coração voltado para o Alto, confiamos na luz que fortalece a nossa fé e nos leva a servir, sem acepção de pessoas, a todos.

Fonte: PASCOM Arquidiocese de Porto Velho – Informações: Padre Gilberto.

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