terça-feira, setembro 29, 2020
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Fiéis e padre, em paróquia na Itália, encontram forma de celebrar juntos mesmo distantes

Os bancos estavam cheios neste domingo. Havia famílias, como sempre. Também muitos idosos, sós ou em casal. Há uma criança que mostra o seu desenho do arco-íris, a dizer, confiante, #tudoficarabem. A igreja estava animada, mas silenciosa. Um silêncio irreal.

Sim, porque o padre Giuseppe, pároco de Robbiano, em Itália, viu os seus fiéis, mas não os podia ouvir. Celebrou em comunhão com eles, os rostos sorridentes e participantes, mas os paroquianos, naquele momento, estavam cada um em sua casa, a assistir à missa diante da televisão ou pela internet.

Nos dias anteriores, o pároco enviou uma mensagem aos paroquianos: “Estar no altar e ver os bancos completamente vazios dá-me uma tristeza que choca com o sacrifício divino que estou a celebrar, com a esperança que estou a anunciar, com a alegria da Páscoa de que estou à espera. Estou convicto de que estamos em comunhão de fé, mas os olhos veem o vazio.”

“Gostaria de fazer-vos uma proposta”, prosseguia o convite: “Enviem-me uma fotografia vossa, quer pessoal quer de família, a foto do vosso rosto, preciso de ver rostos à minha frente quando celebrar a missa no próximo domingo. Imprimirei a fotografia que me enviarem, e prendê-la-ei com fita adesiva ao banco: é uma maneira de me fazer sentir menos só.”

No texto não faltou o bom humor: “Obviamente, colocarei as crianças nos bancos da frente, os acólitos no altar, e todos os adultos nos seus lugares. Manterei a distância de um metro entre uma foto e outra, para não transgredir as normas atuais”. Não faltou a fotografia do organista, devidamente colocada no banco do instrumento.

E assim, não só os fiéis o viram, em direto, pela internet, mas também ele os viu, depois de terem respondido, numerosamente, ao apelo feito por ele, concretizando um sinal concreto de proximidade, em tempos de isolamento por causa da pandemia.

Um pequeno gesto que se tornou numa ação comunitária. Só assim, com gestos individuais que se tornam coletivos, podemos pensar ultrapassar as dificuldades do tempo que começamos agora a viver.

Fontes: Avvenire, RAI
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Lapresse

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