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Porto Velho, 26 de outubro de 2021 - 14h44
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Cardeal Parolin à ONU: a paz é construída através da fraternidade

A pandemia, a cúpula COP26 em Glasgow, guerras e desarmamento nuclear, mas também “novos direitos” que contradizem os valores que deveriam defender. O Secretário de Estado aborda muitas dessas questões em sua mensagem em vídeo para a Assembleia Geral das Nações Unidas, concentrando-se na resiliência e na esperança.

Benedetta Capelli – Vatican News

É um exame claro das urgências do mundo, do sofrimento no Haiti, Afeganistão, Líbano e Síria, que também está entrelaçado com as preocupações da Santa Sé e com os caminhos indicados pelo Papa Francisco na “Fratelli tutti”. A mensagem em vídeo do Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado, para a 76ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, gira em torno do tema: “Construir a resiliência através da esperança”. A esperança a ser encontrada também nas sementes “heroicamente” semeadas durante a pandemia que mostrou como o mundo não precisa de isolamento, mas de “proximidade fraterna” baseada nas “reservas de bondade presentes nos corações humanos”.

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Vacinas para todos

Trazendo as saudações do Papa e recordando suas palavras sobre a crise pandêmica da qual é necessário sair mudado, o Cardeal Parolin exorta a trabalhar juntos para aliviar o sofrimento dos que não podem ter acesso às vacinas “que – afirma – devem estar disponíveis para todos, especialmente em áreas de conflito e contextos humanitários”. Outro ponto diz respeito aos sistemas de saúde, “largamente dominados pela pandemia” e que deixaram “tantas pessoas sem cuidados suficientes ou qualquer tipo de cuidado”. O Secretário de Estado chama a atenção para a fragilidade e as deficiências dos sistemas econômicos, com a grave retração econômica tornando os pobres ainda mais vulneráveis. A luta contra a corrupção, que está em ascensão justamente por causa da pandemia, também é crucial.

A serviço da pessoa

A Covid também afetou a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030, o que retardou seus objetivos. O apelo de Parolin é “repensar a relação entre os indivíduos e a economia e garantir que tanto os modelos econômicos quanto os programas de desenvolvimento permaneçam a serviço dos homens e mulheres, particularmente aos que estão à margem da sociedade, em vez de explorar tanto as pessoas quanto os recursos naturais”. Não negligenciem os pobres, é a exortação do cardeal.

O Haiti

Visando a COP26 em Glasgow, o cardeal exorta a aproveitar a oportunidade de repartir após décadas de inatividade que trouxeram efeitos devastadores para o clima, mas também para a vida das pessoas. Seus pensamentos se voltaram para o Haiti, um país atingido por desastres naturais, com “um povo já sofrendo os desafios políticos e as emergências humanitárias” que enfrenta. Daí o apelo à comunidade internacional para que ajude no desenvolvimento “durável e sustentável” do país. A esperança também vem dos muitos avanços na tecnologia que levaram, por exemplo, a “diminuir o custo da energia limpa”. 

Um cessar-fogo global

Por outro lado, a guerra e a posse de armas de destruição em massa extinguem a esperança. “A recente situação humanitária no Afeganistão e as tensões políticas em curso na Síria e no Líbano, assim como em outros lugares, nos lembram claramente”, diz o Cardeal Parolin, “do impacto que os conflitos têm sobre os povos e nações”. “A Santa Sé pede aos Estados que atendam ao apelo do Secretário-Geral e do Papa Francisco por um cessar-fogo global e uma responsabilidade humanitária compartilhada”.

“Um passo avante”: é assim que se define a entrada em vigor em janeiro passado do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares. “A Santa Sé espera firmemente que isto também estimule o progresso na implementação do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (Tnp), cuja Conferência de Revisão está agendada para o próximo mês de janeiro”.

Os “novos direitos”

Em sua mensagem em vídeo para as Nações Unidas, o cardeal alinhou os dramas de nossas sociedades, resultado de uma “crise antropológica”, uma “crise das relações humanas”, como sublinhado várias vezes por Francisco. Com muita frequência, a lei humanitária”, explicou Parolin, “é tomada como uma recomendação e não como uma obrigação” e por causa disso, “os refugiados, migrantes e deslocados internos são cada vez mais deixados no limbo ou mesmo deixados para se afogar”. Há perseguição por causa da fé, os frágeis, como idosos e crianças são descartados, a família é ameaçada.

“Isto também é evidente nas novas interpretações dos direitos humanos”. Em muitos casos, os ‘novos direitos’ não só contradizem os valores que devem defender, mas são impostos apesar da ausência de consenso internacional”. Para a Santa Sé, os direitos humanos são privados de sua dimensão universal e “as novas interpretações parciais infelizmente se tornam o ponto de referência ideológico de um ‘progresso’ espúrio, gerando polarizações e divisões”. “Essas tentativas”, acrescenta o Secretário de Estado, “de fato confundem, distraem da implementação das convenções de direitos humanos” e prejudicam a promoção e proteção dos direitos humanos fundamentais, tais como “o direito à vida, a liberdade de pensamento, consciência e religião, e a liberdade de opinião e expressão”.

Tornando-se artesãos da paz

Não um instrumento dos poderosos, mas uma instituição a serviço de todos. É assim que Parolin fala das Nações Unidas, que devem ser revitalizadas em seu mandato. O cardeal sublinha como o Conselho de Segurança é visto pelos mais vulneráveis com esperança porque seus “membros são chamados a se tornarem os principais artesãos da paz no mundo”, no entanto, é frequentemente objeto de impasses. “A Santa Sé vê com preocupação o impulso de alguns para quebrar a divisão útil do trabalho entre comitês, comissões, reuniões e processos, transformando-os todos em órgãos que se concentram em um número limitado de questões controversas”.

Concluindo seu discurso, o Cardeal Parolin salientou que existem “muitos sinais de esperança, mesmo em nossas sociedades cansadas”. “Ser construtores de paz significa encontrar estas sementes e brotos de fraternidade”. Tornar-se pontes de comunhão, não se afastando do sofrimento dos migrantes e refugiados. “Trabalhemos juntos para dar-lhes o futuro, para que floresçam em paz”. “Paz”, diz o Secretário de Estado, lembrando as palavras do Papa no Iraque, “não requer vencedores ou perdedores, mas sim irmãos e irmãs que, por todos os mal-entendidos e feridas do passado, estão passando do conflito para a unidade”.

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