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Porto Velho, 7 de dezembro de 2021 - 21h17
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Dom Duffé: 4 anos de missão no Vaticano com experiência marcante em Brumadinho

No final do seu mandato, o secretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, dom Bruno-Marie Duffé, volta a percorrer os pontos marcantes dos seus 4 anos de trabalho, entre eles, como enviado ao Brasil após o rompimento da barragem que matou mais de 270 pessoas. Em entrevista ao Vatican News, o convite a novas formas de se relacionar num mundo frenético e angustiado para dar espaço à esperança.

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Hélène Destombes, Gabriella Ceraso e Andressa Collet – Vatican News

A viagem feita por dom Bruno-Marie Duffé em 2019 a Brumadinho/MG, como enviado ao Brasil do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, após o rompimento da barragem que causou a morte de mais de 270 pessoas, foi um dos marcos importantes na missão de 4 anos como secretário. Desde de julho, dom Duffé, da diocese de Lyon, terminou o seu mandato no dicastério, liderado pelo cardeal Peter Turkson, um cargo ocupado em junho de 2017 com a nomeação do Papa Francisco.

Proximidade e reciprocidade, assim, são consideradas as palavras-chave da avaliação que dom Duffé faz destes anos, em entrevista concedida à redação francesa do Vatican News. Ele falou principalmente dos tempos modernos em que define como marcados pelo “grande desafio da convivência, do reconhecimento e do acolhimento recíproco” que nos coloca no cume, posicionados entre “violência e ruptura” ou “diálogo e encorajamento mútuo”.

Convivência e acolhimento: desafios dos tempos modernos

Grande parte do trabalho do secretário do dicastério nos últimos anos foi relativo ao problema da “saúde”, essencialmente por causa da pandemia e da decisão do Papa de criar uma Comissão Covid-19. Dom Duffé ressalta que essa experiência tem demostrado cada vez mais claramente como as questões de saúde, de ecologia e do social estejam profundamente ligadas e conduzam ao que Francisco pediu, ou seja, a uma “redescoberta da criação”. E todos os atores, todas as esferas, todas as religiões, são importantes nesse sentido: todos podem contribuir para “construir, reconstruir e implantar um novo modo de relações entre nós e um novo modo de diálogo entre todos” em harmonia com a criação.

Memória dos valores, uma bússola para todos

Mas como implementá-la e por onde começar? Dom Duffé, também citando a experiência vivida na América Latina, enfatiza o conceito de “memória”, de “revisitar a nossa memória”. Ele afirma que, na nossa memória coletiva e pessoal, “temos um certo número de elementos que podem nos ajudar a pensar sobre esse novo modelo. Não se trata de voltar ao passado”, explica ele, “mas de revisitar os valores e as referências que temos”, começando por recuperar um sentido do ‘limite’ e do ‘ritmo’ em uma época que dom Duffé vê como ‘frenética’. Um dos desafios de hoje é justamente este. “Memória, esperança e solidariedade concreta”, diz ele, “são como uma bússola que poderíamos oferecer a todos”.

Reforma do Vaticano: não só normas, mas identidade da Igreja

Finalmente, uma reflexão sobre a reforma iniciada pelo Papa, que, longe de ser puramente estrutural ou administrativa ou mesmo normativa, deve ser entendida em termos de “dinâmica da missão e da presença da Igreja no mundo contemporâneo”. A imagem que o prelado adota é a do Pontífice abrindo “caminhos e perspectivas” para que todos os batizados possam ser atores na missão. “Somos uma Igreja”, diz ele, “em meio a um mundo ansioso, às vezes até angustiado. Somos uma Igreja que é chamada a oferecer presença, atenção, misericórdia e cuidado com as pessoas. E esse é o significado dessa reforma”.

A viagem do prelado a Brumadinho, Minas Gerais

Fonte: VaticanNews

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